Este é mais um ótimo filme do diretor Kim Ki-Duk, que já dirigiu Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavra e Casa Vazia. Assim como seus outros filmes, Time também é rico em elementos e de complexa reflexão.Neste filme, uma jovem acredita que seu relacionamento com o namorado está abalado e resolve transformar todo seu corpo com cirurgias plásticas, buscando se tornar uma mulher diferente e mais atrativa para reconquistá-lo.
Logo no início do filme, aparecem cenas reais de cirugias plásticas, que mais parecem filme de terror, de tão agressivas que são para o corpo humano. Embora chocantes, as cenas não fazem See-hee desitir da cirurgia que levará seis meses para mostrar resultado. Essa é uma realidade cada vez mais comum no mundo todo, onde milhares de homens e mulheres se submetem a cirugias, que muitas vezes são arriscadas, apenas para melhorar sua aparência.
O diretor trabalha fortemente a questão da identidade. Imagino como seria olhar no espelho e ver um outro rosto diferente do que estou acostumado. Isso implicaria numa mudança de atitude? Talvez... assim como ocorre quando nos vestimos para uma ocasião formal e informal. São situações em que agimos de maneiras diferente. Mas e quanto ao caráter e a personalidade? Mudar a aparência pode significar melhoria de auto-estima, mas não vai corrigir os defeitos nem alterar nossas qualidades.
O filme em questão vai além disso, já que a cirurgia foi feita para reconquistar o amor de um homem que gostava dela da maneira como ela era, com seus defeitos e qualidades. Ao perceber isso, a jovem See-hee começa a sentir ciúmes da mulher que era antes. Neste ponto do filme, o diretor brinca de maneira brilhante com uma máscara, e dá início a um jogo de busca ao verdadeiro, quando o namorado de See-hee também resolve fazer uma cirurgia. Ela beira a loucura tentando encontrar o novo homem no qual seu namorado se transformou, e aí fica claro que não importa a aparência, o que ela procura é simplesmente uma mão que encaixe perfeitamente na dela...
O filme apresenta um brilhante trabalho artístico, o que já é uma marca dos filmes coreanos, e, ao contrário dos outros já citados filmes de Kim Ki-Duk, este é repleto de diálogos.
Nota 10!
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