domingo, 25 de novembro de 2007

Mutum


Baseado em um romance de Guimarães Rosa, Mutum retrata com muita fidelidade o cotidiano da vida pobre no sertão. É notável o capricho da estreante diretora Sandra Kogut nos detalhes dos cenários e no andamento do filme, que imita o ritmo daquela vida rotineira, lenta e sofrida.

A história é bastante simples, e não é novidade alguma para nós brasileiros a pobreza em que vivem as famílias no sertão, muitas vezes isoladas em seus ranchos. Sabemos sobre o árduo e mal recompensado trabalho na roça, a exploração do trabalho infantil, a violência doméstica, as más condições de alimentação, higiene e saúde, etc. Mas este filme vai muito além disso, porque ele é carregado de emoção.

O personagem principal do filme, Tiago, é um menino extremente sensível, e como toda criança, tem seus sonhos e medos. Tiago não enxerga muito bem com os olhos, mas percebe como ninguém a carência presente em cada pessoa com quem convive. Seu sentimentalismo e sua bondade toca a todos, tornado-o especial.

Lembro-me que quando li esta história Guimarães Rosa, há muitos anos, o trecho que mais me comoveu foi aquele em que Miguilim experimenta uns óculos e passa a enxergar com nitidez muitas coisas que ele não conseguia ver, e como ele não sabia da sua deficiência, acreditava que o mundo era daquele jeito mesmo. Assistindo ao filme, a emoção foi a mesma, trata-se de uma cena memorável e que traz seu simbolismo. Depois dessa experiência, Tiago decide deixar o lugar onde vive para ver mais coisas e ir além.

Curiosidade: todas as crianças do filme são atores não profissionais, experiência que também já foi bem sucedida em outros filmes, como Central do Brasil e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias.


Nota 8


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